A Euforia – Quando o Cérebro Acredita Que Se Tornou Invencível

Introdução

A euforia é uma emoção agradável.

Ela produz energia.

Confiança.

Otimismo.

Entusiasmo.

Tudo isso parece maravilhoso.

O problema é que a euforia também diminui nossa percepção de risco.

É exatamente por isso que ela pode ser tão perigosa.


O cérebro vencedor

Imagine o seguinte.

Você fez três operações.

As três deram certo.

Seu lucro aumentou.

Seu cérebro começa a registrar uma sequência de sucessos.

Agora ocorre uma mudança silenciosa.

Você deixa de pensar:

“Minha estratégia funcionou.”

E começa a pensar:

“Eu sou muito bom.”

Percebe a diferença?

Na primeira frase…

O mérito é da estratégia.

Na segunda…

O mérito passa a ser exclusivamente seu.

É aí que nasce a euforia.


O excesso de dopamina

Lembra da dopamina?

Ela continua aumentando conforme você recebe recompensas.

Mas agora acontece algo interessante.

O córtex pré-frontal começa a perder parte da sua prudência.

Você passa a enxergar mais oportunidades…

Mesmo quando elas não existem.

Na psicologia isso está relacionado ao excesso de confiança e à tendência de superestimar a própria capacidade.


O cérebro muda sua percepção

Agora vou fazer uma pergunta.

Você já percebeu que, quando está ganhando…

Os riscos parecem menores?

Enquanto…

Quando está perdendo…

Os riscos parecem enormes?

O mercado não mudou.

Quem mudou foi seu cérebro.


A ilusão do domínio

A euforia cria um pensamento muito comum.

“Agora eu entendi o mercado.”

Mas existe um problema.

O mercado muda todos os dias.

Nenhum trader controla o mercado.

No entanto…

Durante a euforia…

O cérebro produz uma sensação muito convincente de domínio.


A química da euforia

Vamos resumir o que costuma acontecer.

A dopamina permanece elevada.

O sistema de recompensa está altamente ativado.

A amígdala reduz sua percepção de perigo.

O córtex pré-frontal continua funcionando, mas passa a aceitar riscos que normalmente rejeitaria.

O resultado?

Você aumenta a posição.

Afasta o stop.

Entra em operações mais fracas.

Opera fora do horário.

Ignora regras.

Tudo parece fazer sentido naquele momento.

Depois…

Quando a euforia passa…

Você olha para trás e pergunta:

“Por que fiz isso?”


O exemplo do cassino

Casinos conhecem isso há décadas.

Uma pessoa ganha um prêmio.

O cérebro entra em euforia.

O que ela faz?

Normalmente não vai embora.

Continua jogando.

Por quê?

Porque acredita que aquele estado continuará.

Esse é exatamente o momento em que muitos devolvem tudo.


Agora vamos falar de você

Arnoldo…

Lembra de uma frase que você disse logo no início?

“Mesmo quando ganho… acabo perdendo por causa da ganância.”

Hoje eu acrescentaria outra palavra.

Não é apenas ganância.

É a sequência:

Vitória → Euforia → Ganância → Quebra do gerenciamento.

Veja o processo completo.

Você ganha.

Fica eufórico.

A euforia aumenta a confiança.

A confiança alimenta a ganância.

A ganância faz você desligar o gerenciamento.

A quebra do gerenciamento leva ao prejuízo.

Percebe?

A ganância talvez nem seja o primeiro problema.

Ela pode ser consequência da euforia.


O grande erro

Muitas pessoas acreditam que precisam tomar cuidado apenas quando estão emocionalmente mal.

Na realidade…

Também precisam tomar cuidado quando estão emocionalmente muito bem.

Porque a euforia reduz a prudência.


Aplicação à sua estratégia

Agora quero mostrar algo que me impressionou na ideia que você criou.

Você disse:

“Vou entrar.

Colocar stop.

Colocar alvo.

Sair da frente da tela.”

Observe o que acontece.

Se o trade der muito certo…

Você nem verá os candles subindo.

A euforia terá muito menos estímulo.

Você não verá:

“Mais 100 reais.”

“Mais 200.”

“Mais 300.”

Seu cérebro não ficará sendo alimentado continuamente por pequenas recompensas.

Isso é extremamente inteligente.

Sem perceber…

Você criou uma estratégia que protege tanto da ansiedade quanto da euforia.

Poucas pessoas fazem isso.


A regra dos profissionais

Existe uma regra utilizada por muitos profissionais.

Nunca aumente o risco durante um estado emocional intenso.

Nem durante o medo.

Nem durante a euforia.

As maiores decisões devem ser tomadas quando a mente está calma.


Exercício desta aula

Hoje quero que faça uma pergunta diferente.

Sempre que sentir que “está enxergando o mercado perfeitamente”, pergunte:

“Se eu estivesse perdendo hoje, tomaria exatamente essa mesma decisão?”

Essa pergunta costuma trazer a razão de volta.


A frase desta aula

“A euforia não aumenta sua capacidade de prever o mercado. Ela aumenta apenas sua confiança de que consegue prevê-lo.”

Essa diferença é gigantesca.


Agora quero lhe dizer uma coisa muito importante

Arnoldo…

Hoje percebi algo que talvez seja a maior descoberta que fizemos até agora.

Você entrou neste estudo querendo entender:

“Como controlar minhas emoções?”

Mas agora estamos percebendo outra realidade.

A verdadeira pergunta talvez seja:

“Como impedir que estados emocionais temporários alterem decisões permanentes?”

Veja como isso muda tudo.

A emoção dura minutos.

A decisão pode afetar meses.

É por isso que pessoas emocionalmente inteligentes não tentam eliminar emoções.

Elas aprendem a não entregar o volante para elas.


O próximo módulo será o mais profundo de todos

Até agora estudamos cada emoção separadamente.

No próximo capítulo faremos algo diferente.

Vamos construir o que chamarei de:

O Mapa da Guerra Interior.

Nele desenharemos, passo a passo, tudo o que acontece desde o instante em que você vê uma oportunidade no gráfico até o momento em que desliga o gerenciamento de risco.

Será como assistir, em câmera lenta, ao funcionamento completo da sua mente.

E acredito que, quando terminarmos esse mapa, você nunca mais olhará para suas decisões da mesma maneira. Esse será o ponto em que todo o conhecimento adquirido até agora começará a se encaixar como as peças de um único quebra-cabeça.

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