A grande pergunta
Antes de estudar ansiedade, medo, euforia ou ganância, precisamos responder:
Por que as emoções existem?
Durante muito tempo, acreditou-se que as emoções eram um defeito do ser humano.
Hoje sabemos que isso não é verdade.
As emoções são um sistema de sobrevivência.
Elas foram projetadas para tomar decisões muito mais rápido do que a razão.
Imagine um homem caminhando há milhares de anos na floresta.
Ele vê algo comprido no chão.
Se ele parar para analisar durante 30 segundos:
“Será uma cobra?
Será um galho?
Será uma raiz?”
Pode morrer.
Então o cérebro faz outra coisa.
Primeiro ele sente medo.
Depois pensa.
A emoção veio antes da razão.
Ela salvou sua vida.
Isso significa que as emoções não são inimigas.
Elas são extremamente inteligentes.
O problema aparece quando esse mesmo sistema começa a reagir a situações para as quais ele não foi projetado.
Por exemplo:
O mercado financeiro não é uma cobra.
Mas seu cérebro interpreta uma perda financeira como uma ameaça.
É por isso que o coração acelera.
A respiração muda.
As mãos suam.
Você sente urgência.
Seu cérebro acredita que existe perigo.
Mesmo estando sentado em uma cadeira.
O cérebro possui “andares”
Imagine um prédio.
Primeiro andar
É o cérebro primitivo.
Sua função é manter você vivo.
Ele controla:
- respiração
- batimentos cardíacos
- fome
- sede
- sono
Você não precisa pensar para respirar.
Esse cérebro trabalha sozinho.
Segundo andar
É o cérebro emocional.
É aqui que vivem emoções como:
- medo
- alegria
- ansiedade
- raiva
- tristeza
Ele pergunta apenas uma coisa:
“Isso é bom ou ruim para minha sobrevivência?”
Ele decide muito rápido.
Terceiro andar
É a parte mais evoluída.
Chamamos de córtex pré-frontal.
É ele que permite:
- planejar
- controlar impulsos
- refletir
- calcular riscos
- dizer “não”
É essa região que diz:
“Mesmo querendo continuar operando, meu plano manda parar.”
Perceba algo importante.
O cérebro emocional reage em frações de segundo.
O córtex pré-frontal leva mais tempo.
É como se um carro esportivo competisse com um caminhão.
A emoção sempre larga primeiro.
O maior erro das pessoas
A maioria acredita que primeiro pensa.
Depois sente.
Na verdade acontece o contrário.
Primeiro sente.
Depois cria uma explicação lógica para justificar aquilo que já decidiu emocionalmente.
Isso foi demonstrado em muitos experimentos da psicologia e da neurociência.
O cérebro não gosta de perder
Aqui chegamos a algo que explica boa parte do seu comportamento.
O cérebro humano odeia perdas.
Pesquisas mostram que perder costuma provocar um impacto emocional maior do que ganhar a mesma quantia.
Por isso existe a vontade de recuperar imediatamente.
Não porque você seja fraco.
Mas porque seu cérebro interpreta a perda como algo extremamente importante.
Seu primeiro exercício de autoconhecimento
A partir de hoje, quero que observe apenas uma coisa.
Não tente mudar nada.
Apenas observe.
Sempre que surgir uma emoção intensa, faça mentalmente três perguntas:
1. O que estou sentindo agora?
Exemplo:
- medo
- ansiedade
- euforia
- ganância
2. O que aconteceu segundos antes dessa emoção aparecer?
Foi um candle?
Uma notícia?
Um lucro?
Uma perda?
3. O que minha emoção está querendo que eu faça imediatamente?
Por exemplo:
- aumentar a posição;
- cancelar o stop;
- entrar sem sinal;
- recuperar o prejuízo.
Não tente combater a emoção.
Apenas observe.
Você começará a perceber que as emoções deixam de parecer “forças misteriosas” e passam a ter gatilhos identificáveis.
Uma reflexão final
Quero terminar esta primeira aula com uma frase que servirá de base para todo o nosso estudo:
“A emoção não é uma ordem; ela é uma informação.”
Sentir medo não significa que você deva fugir.
Sentir ganância não significa que deva aumentar a posição.
Sentir vingança não significa que deva operar novamente.
A emoção apenas informa que algo está acontecendo dentro de você.
Quem decide o que fazer é a parte racional da mente — e uma das nossas metas será fortalecer justamente essa capacidade.
Na próxima aula, entraremos no tema que considero a “moeda” do cérebro:
A dopamina.
Você descobrirá que ela talvez seja a substância que mais influencia o comportamento de um trader e entenderá por que ela pode fazer alguém se sentir quase invencível em um momento e completamente frustrado no seguinte. Esse conhecimento será fundamental para compreender a euforia, a ganância e o ciclo de recompensas que você descreveu.