POR: ARNOLDO SILVA

“Voltai para mim, e eu voltarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos.” (Malaquias 3:7)
Introdução
Como voltar para Deus , depois de uma queda.
Poucas dores são tão profundas quanto a de um cristão que percebe que se afastou de Deus.
Não estou falando de alguém que nunca conheceu o Senhor.
Estou falando daquele que já experimentou a alegria da salvação, já sentiu prazer na oração, já encontrou conforto na Palavra de Deus e já viveu momentos preciosos de comunhão com Cristo.
Mas, aos poucos, algo mudou.
A oração tornou-se rara.
A leitura da Bíblia perdeu espaço para outras prioridades.
A comunhão com Deus foi sendo substituída pelas preocupações da vida.
Sem perceber, o coração começou a esfriar.
Esse processo normalmente acontece de maneira silenciosa. Não ocorre de um dia para o outro. É como uma fogueira que vai perdendo o calor porque deixou de ser alimentada. As brasas continuam ali por um tempo, mas, sem novos gravetos, o fogo se apaga.
Foi exatamente isso que aconteceu com muitos personagens da Bíblia.
Davi caiu em pecado.
Pedro negou Jesus.
Jonas fugiu da vontade de Deus.
Elias desejou morrer.
Até mesmo a igreja de Éfeso, elogiada por sua fidelidade doutrinária, ouviu de Cristo uma advertência severa:
“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.” (Apocalipse 2:4)
A boa notícia é que Deus nunca fecha as portas para aquele que deseja voltar.
O Evangelho não é apenas a história de um Deus que salva pecadores.
É também a história de um Pai amoroso que restaura filhos arrependidos.
Se você está lendo este artigo com o coração quebrantado, pensando que foi longe demais ou que Deus já desistiu de você, permita que a Palavra fale ao seu coração.
Enquanto houver arrependimento verdadeiro, haverá esperança.
Enquanto houver um coração disposto a voltar, haverá um Pai de braços abertos esperando.
Como começa uma queda espiritual?
Muitas pessoas imaginam que uma queda espiritual acontece de repente.
Mas a Bíblia mostra exatamente o contrário.
Antes da queda pública existe um afastamento secreto.
Antes do pecado visível existe uma batalha invisível.
Antes do afastamento da igreja existe o afastamento da presença de Deus.
Ninguém acorda um dia decidido a abandonar sua fé.
Tudo começa com pequenas concessões.
Uma oração deixada para depois.
Um dia sem abrir a Bíblia.
Uma justificativa para faltar à comunhão.
Uma tentação que parecia pequena.
Um pensamento que não foi combatido.
Pouco a pouco, aquilo que parecia insignificante torna-se um hábito.
Foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu:
“Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” (1 Coríntios 10:12)
Essa advertência não foi dirigida aos incrédulos.
Foi dirigida aos cristãos.
Todos nós somos vulneráveis quando deixamos de vigiar.
Jesus também advertiu Seus discípulos no Getsêmani:
“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mateus 26:41)
Observe que Jesus não disse apenas para orar.
Ele disse para vigiar e orar.
A vigilância protege a mente.
A oração fortalece o coração.
Quando uma dessas duas áreas é negligenciada, a tentação encontra espaço para crescer.
O perigo da autoconfiança
Um dos maiores perigos da vida cristã é acreditar que já somos fortes o suficiente para vencer sozinhos.
Pedro foi um exemplo disso.
Poucas horas antes de negar Jesus três vezes, declarou com convicção:
“Ainda que todos se escandalizem de ti, eu nunca me escandalizarei.” (Mateus 26:33)
Pedro confiava em sua própria força.
Mas bastaram algumas horas para que negasse conhecer o Mestre.
Quantas vezes fazemos o mesmo?
Pensamos:
“Comigo isso nunca vai acontecer.”
“Agora estou firme.”
“Já venci esse pecado.”
É justamente nesse momento que nos tornamos mais vulneráveis.
A força do cristão nunca esteve em sua capacidade.
Sempre esteve em sua dependência de Deus.
O inimigo espera o momento de fraqueza
A Bíblia ensina que Satanás é paciente.
Ele não precisa destruir uma vida em um único dia.
Ele observa.
Espera.
Procura o momento em que baixamos a guarda.
O apóstolo Pedro escreveu:
“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar.” (1 Pedro 5:8)
O leão normalmente não ataca o animal mais forte do rebanho.
Ele procura aquele que está isolado, distraído ou enfraquecido.
Da mesma forma, quando nos afastamos da oração, da Palavra e da comunhão com Deus, tornamo-nos mais vulneráveis aos ataques espirituais.
Foi exatamente isso que experimentei em minha própria caminhada.
Minha queda não começou quando tomei decisões erradas.
Ela começou muito antes.
Começou quando minha vida de oração perdeu intensidade.
Quando deixei de buscar a Deus com o mesmo fervor.
Quando permiti que as preocupações ocupassem o lugar da confiança no Senhor.
Hoje compreendo que o inimigo não precisou me empurrar para longe de Deus.
Bastou convencer-me, pouco a pouco, de que eu poderia relaxar na vigilância espiritual.
Esse foi o início da minha queda.
E acredito que esse seja também o começo da queda de muitos cristãos.
Mas a história não termina aqui.
A mesma Bíblia que nos mostra o perigo da queda também revela um Deus que sai em busca daqueles que se perderam.
Deus continua procurando quem caiu
Uma das maiores mentiras que Satanás coloca na mente de um cristão que caiu é esta:
“Agora acabou. Deus não quer mais você.”
Essa mentira já levou muitas pessoas ao desespero.
Algumas abandonaram completamente a igreja.
Outras deixaram de orar porque acreditavam que Deus não ouviria mais suas orações.
Outras passaram anos carregando culpa, vivendo como se o perdão de Deus tivesse um limite.
Mas essa não é a mensagem da Bíblia.
Desde o início das Escrituras encontramos um Deus que toma a iniciativa de buscar o homem.
Quando Adão e Eva pecaram, eles se esconderam entre as árvores do jardim.
Poderíamos imaginar que Deus os abandonaria.
Mas aconteceu exatamente o contrário.
O Senhor foi ao encontro deles e perguntou:
“Adão, onde estás?” (Gênesis 3:9)
Essa pergunta não foi feita porque Deus desconhecia o lugar onde Adão estava.
Foi um convite para que ele reconhecesse sua condição.
Ainda hoje Deus faz a mesma pergunta.
“Filho, onde você está?”
Não para condenar.
Mas para restaurar.
O Pastor que nunca desiste de uma ovelha
Jesus contou uma parábola maravilhosa.
“Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?” (Lucas 15:4)
Observe algo impressionante.
A ovelha perdida não sabia voltar sozinha.
Ela estava desorientada.
Assustada.
Sem direção.
Era o pastor quem saía à sua procura.
Assim é Cristo.
Quando um filho de Deus se afasta, Jesus continua chamando.
Às vezes por meio de um sermão.
Outras vezes através da leitura da Bíblia.
Em outras ocasiões, por uma provação que desperta novamente o coração.
Ou até mesmo por meio de um irmão que aparece no momento certo com uma palavra de encorajamento.
Nada disso acontece por acaso.
É o Bom Pastor procurando Sua ovelha.
E quando a encontra, não a espanca.
Não a humilha.
Não a rejeita.
Jesus diz:
“Põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.” (Lucas 15:5)
Que imagem maravilhosa!
O Pastor carrega a ovelha justamente quando ela não tem forças para caminhar.
Assim também faz Cristo conosco.
Há momentos em que estamos tão cansados, tão machucados pelas consequências das nossas escolhas, que já não conseguimos dar um passo sequer.
É nesse momento que Sua graça nos sustenta.
A parábola do filho pródigo: o retrato do coração de Deus
Se existe uma história capaz de revelar o amor do Pai por quem caiu, essa história é a do filho pródigo.
Movido pelo orgulho e pela ilusão de uma vida independente, aquele jovem pediu sua herança e abandonou a casa do pai.
No início tudo parecia maravilhoso.
Liberdade.
Dinheiro.
Prazeres.
Novas amizades.
Mas, quando os recursos acabaram, os amigos desapareceram.
Veio a fome.
Veio a solidão.
Veio a humilhação.
Aquele que antes vivia na casa do pai agora desejava comer a comida dos porcos.
O pecado sempre faz falsas promessas.
Promete liberdade, mas produz escravidão.
Promete felicidade, mas entrega vazio.
Promete prazer, mas termina em sofrimento.
Foi somente naquele cenário de miséria que a Bíblia diz:
“Caindo em si…” (Lucas 15:17)
Essa talvez seja uma das frases mais importantes de toda a parábola.
Antes de voltar para o pai, o filho precisou voltar a si mesmo.
Reconheceu onde estava.
Reconheceu o que havia perdido.
Reconheceu que precisava retornar.
Toda restauração começa quando deixamos de justificar nossos erros e admitimos nossa verdadeira condição diante de Deus.
O Pai continua esperando
Talvez a parte mais emocionante dessa parábola esteja no momento da volta.
O texto diz:
“Quando ainda estava longe, viu-o seu pai e, compadecido dele, correndo, o abraçou e beijou.” (Lucas 15:20)
Na cultura da época, um homem idoso não costumava correr.
Mas aquele pai correu.
Por quê?
Porque o amor era maior que a vergonha.
A saudade era maior que a ofensa.
A graça era maior que o pecado.
Esse pai representa o coração de Deus.
Muitas pessoas imaginam que, quando voltarem, encontrarão um Deus de braços cruzados, pronto para lembrar cada erro cometido.
Mas a Bíblia revela exatamente o contrário.
Encontramos um Pai disposto a abraçar, restaurar e devolver a dignidade ao filho arrependido.
Observe que o pai não permitiu que o filho terminasse seu discurso.
O jovem queria ser tratado como empregado.
Mas o pai mandou trazer a melhor roupa.
Colocar um anel em seu dedo.
Sandálias em seus pés.
Preparar uma grande festa.
Tudo isso porque, para Deus, um filho arrependido vale muito mais do que um passado de fracassos.
A graça de Deus é maior que a sua queda
Talvez você esteja lendo este artigo pensando:
“Você não conhece os meus pecados.”
“Se soubesse o que eu fiz, entenderia por que Deus não pode mais me aceitar.”
Mas olhe para as pessoas que Deus restaurou na Bíblia.
Davi adulterou e participou da morte de Urias.
Pedro negou Jesus três vezes.
Jonas fugiu da presença do Senhor.
João Marcos abandonou Paulo em uma viagem missionária.
Ainda assim, todos eles foram restaurados.
Isso não significa que o pecado não tenha consequências.
Tem.
E muitas vezes elas permanecem.
Mas nenhuma consequência é maior do que a graça de Deus para aquele que se arrepende sinceramente.
Como escreveu o apóstolo João:
“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:9)
Observe que João não escreve para incrédulos.
Ele escreve para cristãos.
Isso nos mostra que a vida cristã não é marcada pela perfeição absoluta, mas por uma vida de arrependimento contínuo e confiança na misericórdia de Deus.
O arrependimento é o caminho da restauração
Depois que o filho pródigo “caiu em si”, ele tomou a decisão mais importante da sua vida.
A Bíblia diz:
“Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai…” (Lucas 15:18)
Observe que ele não permaneceu apenas lamentando sua situação.
Ele se levantou.
Esse é o verdadeiro arrependimento.
Arrependimento não é apenas sentir tristeza pelo pecado.
É mudar de direção.
É abandonar o caminho que nos afastou de Deus e voltar para os braços do Pai.
Foi exatamente isso que Jesus ordenou à igreja de Éfeso.
Depois de dizer:
“Lembra-te, pois, de onde caíste…”
Ele acrescentou:
“Arrepende-te e volta à prática das primeiras obras.” (Apocalipse 2:5)
Perceba a sequência.
Primeiro reconhecer.
Depois arrepender-se.
Por fim voltar.
Toda restauração espiritual passa por esses três passos.
O maior obstáculo é o orgulho
Vivemos em uma geração que perdeu completamente o significado do arrependimento.
Não é raro ouvir pessoas dizendo com orgulho:
“Nunca me arrependo de nada.”
Outros afirmam:
“Se eu pudesse voltar no tempo faria tudo igual.”
Essas frases costumam receber aplausos da sociedade.
Mas diante de Deus revelam um coração endurecido.
O arrependimento nunca foi sinal de fraqueza.
Sempre foi sinal de humildade.
Somente quem reconhece seu pecado pode experimentar o perdão.
Salomão escreveu:
“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Provérbios 28:13)
Observe duas palavras importantes.
Confessa.
Deixa.
Não basta reconhecer o pecado.
É necessário abandoná-lo.
Remorso não é arrependimento
Existe uma diferença enorme entre remorso e arrependimento.
Muitas pessoas confundem essas duas coisas.
O remorso produz tristeza pelas consequências.
O arrependimento produz tristeza por ter ofendido a Deus.
O remorso olha para si mesmo.
O arrependimento olha para Cristo.
O remorso deseja aliviar a culpa.
O arrependimento deseja restaurar a comunhão.
Paulo escreveu:
“Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte.” (2 Coríntios 7:10)
Nem toda lágrima significa arrependimento.
Existem pessoas que choram porque perderam dinheiro.
Outras porque foram descobertas.
Outras porque sofreram as consequências dos próprios erros.
Mas continuam amando o pecado.
O verdadeiro arrependimento muda o coração.
Judas e Pedro: duas histórias, dois destinos
Talvez não exista comparação mais impressionante na Bíblia do que Judas e Pedro.
Os dois caminharam com Jesus.
Os dois ouviram os mesmos ensinamentos.
Os dois falharam gravemente.
Judas traiu o Mestre.
Pedro o negou três vezes.
Os dois choraram.
Os dois reconheceram que haviam errado.
Mas apenas um foi restaurado.
Qual foi a diferença?
Judas teve remorso.
Pedro teve arrependimento.
Judas devolveu as moedas.
Mas não voltou para Jesus.
Seu remorso terminou em desespero.
Pedro chorou amargamente.
Mas permaneceu perto do Senhor.
Depois da ressurreição, Jesus procurou Pedro.
Na praia da Galileia, por três vezes perguntou:
“Pedro, tu me amas?” (João 21)
Jesus não queria humilhá-lo.
Queria restaurá-lo.
Cada pergunta apagava uma das três negações.
No final da conversa, Cristo devolveu seu ministério dizendo:
“Apascenta as minhas ovelhas.”
Que cena maravilhosa!
O homem que havia negado Jesus diante de uma criada agora seria o pregador usado por Deus para anunciar o Evangelho a milhares de pessoas no Pentecostes.
Esse é o poder da graça.
Deus não apenas perdoa.
Ele restaura.
Deus restaura pessoas, não apenas pecados
Muitos cristãos acreditam que Deus apenas perdoa.
Mas a Bíblia mostra algo muito maior.
Ele devolve propósito.
Veja alguns exemplos.
Moisés matou um egípcio.
Mesmo assim Deus o chamou para libertar Israel.
Jonas fugiu da presença do Senhor.
Mesmo assim Deus o enviou novamente para Nínive.
João Marcos abandonou Paulo durante uma viagem missionária.
Anos depois Paulo escreveu:
“Toma Marcos e traze-o contigo, porque me é útil para o ministério.” (2 Timóteo 4:11)
O homem que um dia foi considerado despreparado tornou-se extremamente útil para a obra de Deus.
Isso mostra que nossas quedas não têm a palavra final.
Quando existe arrependimento verdadeiro, Deus pode transformar nossos fracassos em testemunhos da Sua graça.
Talvez você pense que perdeu todas as oportunidades.
Mas Deus é especialista em escrever novos capítulos.
A cruz é a maior prova disso.
Onde os homens enxergavam derrota, Deus realizou a maior vitória da história.
Da mesma forma, Ele pode transformar sua dor, sua queda e até seus erros em um testemunho que fortaleça outras pessoas.
Meu testemunho: Aprendi que, sem Deus, sempre estarei em perigo
Ao escrever este artigo, não estou falando apenas de histórias que aconteceram com personagens da Bíblia.
Estou falando também da minha própria caminhada.
Se existe uma lição que Deus tem me ensinado ao longo da vida é esta:
Nunca estarei seguro se deixar de permanecer em comunhão com Cristo.
Infelizmente, essa não foi uma lição que aprendi apenas estudando a Bíblia.
Aprendi vivendo.
Ao longo da minha caminhada cristã, já experimentei momentos de grande alegria espiritual.
Períodos em que a oração era um prazer.
A leitura da Bíblia alimentava minha alma.
A presença de Deus era real em meu coração.
Nesses momentos, eu enfrentava as dificuldades da vida com paz.
Minha confiança estava no Senhor.
Mas também houve momentos em que relaxei na minha vida espiritual.
As preocupações aumentaram.
As pressões da vida ocuparam minha mente.
Pouco a pouco fui diminuindo meu tempo de oração.
A Bíblia deixou de ocupar o primeiro lugar.
Sem perceber, comecei a confiar mais na minha própria capacidade do que na direção de Deus.
Foi exatamente aí que começaram minhas quedas.
Hoje consigo enxergar algo que antes não percebia.
Minha queda nunca começou no pecado.
Ela começou muito antes.
Começou quando deixei de vigiar.
Começou quando deixei de orar.
Começou quando permiti que minha comunhão com Deus esfriasse.
Jesus havia advertido:
“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação.” (Mateus 26:41)
Naquela época eu entendia esse versículo apenas como um conselho.
Hoje entendo que ele é uma necessidade para quem deseja permanecer firme.
Descobri que o maior perigo não está no mundo
Durante muito tempo pensei que meu maior inimigo eram as circunstâncias.
As dificuldades financeiras.
As pressões.
As tentações.
Hoje compreendo que o maior perigo surge quando meu coração se afasta de Deus.
Porque, quando estou longe da presença do Senhor, minha capacidade de resistir diminui.
As tentações parecem maiores.
Os problemas parecem impossíveis.
Os pensamentos negativos encontram espaço.
E aquilo que antes eu conseguia vencer passa a me dominar novamente.
Foi exatamente isso que aconteceu várias vezes comigo.
Não tenho vergonha de admitir isso.
Pelo contrário.
Reconhecer minha fraqueza foi o primeiro passo para experimentar novamente a força de Deus.
Ainda preciso vigiar todos os dias
Talvez alguém espere que eu escreva:
“Hoje nunca mais caio.”
Mas isso não seria verdade.
Enquanto estiver neste mundo continuarei enfrentando tentações.
Continuarei precisando vigiar.
Continuarei dependendo da graça de Deus.
Se algum dia eu deixar de permanecer firme em Cristo, sei que poderei cair novamente.
Não porque Deus seja fraco.
Mas porque eu sou.
O apóstolo Paulo escreveu:
“Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” (1 Coríntios 10:12)
Esse versículo tornou-se um alerta constante para minha vida.
Não quero viver com medo.
Quero viver em dependência.
Existe uma grande diferença entre essas duas coisas.
O medo olha para a nossa fraqueza.
A dependência olha para a força de Deus.
Minha segurança não está na minha experiência.
Não está no conhecimento que adquiri ao longo dos anos.
Não está no tempo que já caminhei com Cristo.
Minha segurança está unicamente em permanecer ligado à Videira Verdadeira.
Jesus declarou:
“Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5)
Essas palavras resumem toda a minha caminhada.
Sem Cristo eu não consigo permanecer de pé.
A graça de Deus sempre me trouxe de volta
Apesar das minhas falhas, existe algo que nunca mudou.
A fidelidade de Deus.
Todas as vezes em que me arrependi sinceramente, encontrei um Pai disposto a me receber novamente.
Nunca fui recebido porque merecia.
Fui recebido porque Cristo morreu por mim.
Foi a graça de Deus que me levantou.
Foi Sua misericórdia que restaurou minha esperança.
Foi Seu amor que me convenceu a voltar.
Compreendi que Deus não procura pessoas perfeitas.
Ele procura corações quebrantados.
Como escreveu Davi:
“Coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Salmo 51:17)
Essa promessa tornou-se um grande consolo para mim.
Porque descobri que minha salvação não depende da perfeição da minha caminhada.
Depende da perfeição do sacrifício de Cristo.
Minha decisão diária
Hoje minha oração é simples.
Não peço a Deus apenas que me livre das dificuldades.
Peço que nunca permita que eu me afaste da Sua presença.
Porque aprendi que posso perder dinheiro e recomeçar.
Posso enfrentar enfermidades e continuar confiando.
Posso passar por lutas e permanecer em paz.
Mas não quero viver um único dia distante da comunhão com Deus.
Foi longe d’Ele que encontrei minhas maiores derrotas.
Foi perto d’Ele que encontrei minhas maiores vitórias.
Por isso decidi fazer das palavras do salmista a oração da minha vida:
“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmo 139:23-24)
Essa continua sendo minha oração.
E também meu maior desejo.
Permanecer perto de Cristo até o fim.
Porque agora sei que a maior vitória da vida cristã não é nunca tropeçar, mas nunca deixar de voltar para Deus quando tropeçamos.
Como permanecer firme depois da restauração
Quando Deus restaura um filho, Seu desejo não é apenas levantá-lo da queda.
Seu desejo é fortalecê-lo para que permaneça caminhando ao Seu lado.
É verdade que continuaremos enfrentando tentações enquanto estivermos neste mundo.
Mas Deus não nos deixa sem direção.
Sua Palavra nos mostra como permanecer firmes.
1. Faça da oração sua prioridade diária
Nenhum relacionamento permanece vivo sem comunicação.
Assim também acontece com nossa comunhão com Deus.
A oração não deve ser apenas um recurso para momentos de crise.
Ela precisa tornar-se um estilo de vida.
Foi quando deixei de orar com constância que comecei a enfraquecer espiritualmente.
Hoje compreendo que minha força nunca esteve em mim.
Sempre esteve na presença de Deus.
Jesus nos deixou este exemplo.
Mesmo sendo o Filho de Deus, separava tempo para estar sozinho com o Pai.
Se Cristo julgava a oração indispensável, quanto mais nós.
“Orai sem cessar.” (1 Tessalonicenses 5:17)
2. Faça da Bíblia seu alimento diário
Nosso corpo precisa de alimento todos os dias.
Nossa alma também.
Não basta ler a Bíblia apenas quando surge um problema.
Precisamos permitir que Deus fale conosco diariamente.
O salmista declarou:
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho.” (Salmo 119:105)
Quanto mais conhecemos a Palavra, mais discernimos a vontade de Deus e mais facilmente identificamos as armadilhas do inimigo.
3. Nunca caminhe sozinho
Uma brasa retirada da fogueira rapidamente perde o calor.
Da mesma maneira acontece com o cristão isolado.
Deus nos criou para viver em comunhão.
Precisamos da igreja.
Precisamos de irmãos maduros que nos exortem, orem conosco e nos encorajem.
O escritor de Hebreus aconselha:
“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos…” (Hebreus 10:24-25)
Muitas quedas poderiam ser evitadas se tivéssemos humildade para pedir ajuda antes que fosse tarde.
4. Nunca confie em sua própria força
Depois de tudo o que vivi, aprendi uma verdade que levarei para o resto da minha vida.
O cristão mais forte não é aquele que acredita nunca mais cair.
É aquele que reconhece diariamente sua dependência de Deus.
O orgulho precede a queda.
A humildade abre espaço para a graça.
Todos os dias precisamos dizer:
“Senhor, guarda meu coração.”
“Senhor, fortalece minha fé.”
“Senhor, não permitas que eu me afaste da tua presença.”
Conclusão
Ao longo deste artigo vimos que uma queda espiritual não acontece de repente.
Ela começa quando deixamos de vigiar.
Quando abandonamos a oração.
Quando a Palavra deixa de ocupar o primeiro lugar em nossa vida.
Mas também vimos uma verdade ainda mais maravilhosa.
Nenhuma queda é maior do que a graça de Deus.
O mesmo Deus que restaurou Davi.
O mesmo Deus que levantou Pedro.
O mesmo Deus que recebeu o filho pródigo.
Continua restaurando todos aqueles que voltam para Ele com arrependimento sincero.
Talvez você tenha chegado até aqui carregando culpa.
Talvez pense que Deus desistiu de você.
Talvez faça muito tempo que não ora.
Muito tempo que não abre a Bíblia.
Muito tempo que não sente alegria na presença do Senhor.
Se esse é o seu caso, quero dizer algo ao seu coração.
Ainda há esperança.
Enquanto existe arrependimento, existe perdão.
Enquanto existe vida, existe oportunidade de voltar.
A cruz de Cristo continua sendo suficiente para apagar os pecados de todo aquele que se arrepende.
Não importa quão distante você tenha ido.
Nunca será mais longe do que o alcance da graça de Deus.
Hoje pode ser o dia do seu recomeço.
Não espere sentir-se digno.
Ninguém volta para Deus porque merece.
Voltamos porque Cristo abriu o caminho através da cruz.
Levante-se.
Volte à oração.
Volte à Palavra.
Volte ao primeiro amor.
O Pai continua esperando por você de braços abertos.
Uma oração para quem deseja voltar
Pai Celestial,
Reconheço que muitas vezes me afastei da Tua presença.
Confesso que deixei a oração, a leitura da Tua Palavra e a comunhão contigo perderem a prioridade.
Perdoa-me por confiar tantas vezes na minha própria força.
Hoje compreendo que sem Jesus nada posso fazer.
Cria em mim um coração puro.
Renova minha mente.
Fortalece minha fé.
Ajuda-me a permanecer firme mesmo quando vierem as tentações.
Quando eu tropeçar, lembra-me da Tua graça.
Quando eu estiver fraco, sustenta-me com Teu Espírito.
Que eu nunca perca o desejo de voltar correndo para os Teus braços.
Obrigado porque, em Cristo, existe perdão, restauração e esperança.
Em nome de Jesus.
Amém.
SOBRE O AUTOR
Arnoldo Silva é estudioso das Escrituras Sagradas, com uma caminhada marcada pela fé, aprendizado e experiências de vida que fortaleceram sua compreensão espiritual. Nascido no interior do Ceará, cresceu em um ambiente simples, onde desde cedo teve contato com os ensinamentos bíblicos através de sua família.
Ao longo dos anos, tem se dedicado ao estudo da Bíblia, buscando compreender seus ensinamentos e aplicá-los à realidade atual. Seu objetivo é ajudar pessoas a desenvolverem fé, discernimento e uma vida mais consciente diante de Deus.